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Inovação a passos lentos artigo 16

Publicado:02/02/17
Fotos: Edi Sousa e Nalva Lima Studio Artes
Colunista: Marcos Cintra doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular da Fundação Getulio Vargas. autor do projeto do Imposto Único. presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
 
Pra Cego Ver: Marcos Cintra  brando, usa cabelos curtos e grisalhos, culos e veste terno escuro
O IBGE publicou em dezembro a nova Pesquisa Industrial de Inovação Tecnolgica (Pintec), que mostra o panorama das atividades de inovação realizadas pelas empresas brasileiras. No cômputo geral, o cenrio não pode ser considerado positivo, especialmente em razão da ampliação do apoio pblico s atividades.
 
Os dados da pesquisa indicam que 36% das empresas brasileiras introduziram algum tipo de inovação no perodo de 2012-2014, ante 35,7% na edição anterior, um panorama que pode ser avaliado como estvel no perodo.
 
Alm disso, os dispêndios empresariais em inovação chegaram a R$ 33,6 bilhões em 2014, equivalente a 0,61% do PIB brasileiro, sem um aumento expressivo em relação aos levantamentos de 2011 e 2008, respectivamente 0,59% e 0,58%.
 
Um movimento a ser destacado na pesquisa a mudança na composição do investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) das empresas nacionais. Desde 2008, elas estão reduzindo o volume de investimentos em P&D realizados internamente e ampliando os projetos em parceria com institutos de pesquisa, universidades ou outras empresas. Esse movimento precisa ser melhor compreendido, mas parece indicar um cenrio positivo: as relações de interação entre universidades e empresas estão aumentando, ou seja, o conhecimento cientfico e tecnolgico gerado nas universidades est mais presente no contedo de inovação das empresas.
 
Outro destaque refere-se ao apoio pblico s atividades de inovação. No perodo 2012-2014, 17,3 mil empresas, o equivalente a 40% das inovadoras, declararam ter recebido algum apoio do governo para suas atividades nesse sentido, proporção maior que a observada no perodo 2009-2011 (34,2%).
 
Esse apoio pblico, no entanto, acabou preponderantemente direcionado para a aquisição de mquinas e equipamentos, item relevante para o cotidiano das empresas, mas com menor potencial de geração de inovações disruptivas. Mais de 14 mil empresas (75% das que receberam apoio pblico) atuaram dessa forma.
 
Por sua vez, ainda baixo o volume de apoio pblico aos investimentos em P&D interno das empresas. Apenas 14% desses investimentos são financiados com recursos pblicos (2009-2011 foi 11%). A maior parte desses dispêndios, cerca de 84% do total, financiada com recursos prprios das empresas.
 
O Estado tem um papel central no fomento a ciência, tecnologia e inovação. H incontveis casos internacionais bem-sucedidos, em que o fomento pblico foi essencial para o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas a telecomunicações, sade, energia, agricultura e outras reas prioritrias. O Brasil segue a mesma trajetria, mas com muitas dificuldades e descontinuidades.
 
As medidas para o estmulo inovação devem incluir o aprimoramento dos mecanismos governamentais e o descontingenciamento dos recursos pblicos que são arrecadados para esse fim. Não h como estimular o investimento privado em inovação sem que haja o aporte de recursos pblicos que reduzam os riscos do investidor, especialmente no caso dos projetos mais disruptivos, como aqueles que são apoiados no mundo todo com subvenção econômica.
 
necessrio fazer melhor uso dos nossos limitados recursos, para que a prxima Pintec mostre resultados melhores. O desafio imenso.