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A esclerose mltipla e a inclusão no mercado de trabalho

Descrição de Imagem: Mara Gabrilli em pose para foto, falando sobre a inclusão de pessoas com Esclerose Mltipla no mercado de trabalho. Fim da Descrição de Imagem.Na coluna desta semana, Mara Gabrilli afirma “As empresas devem cumprir, alm da legislação, sua cota de tolerância e respeito s necessidades de cada ser humano”. A ideia que as empresas contratem seguindo a avaliação da classificação internacional de funcionalidade (CIF).
 
Publicado: 27-05-15
Foto:Edi Sousa e Nalva Lima Studio Artes
Colunista: Mara Gabrilli publicitria, psicloga, deputada federal pelo PSDB, fundou em 1997, o Instituto Mara Gabrilli, OSCIP que apoia atletas com deficiência, promove o Desenho Universal, fomenta pesquisas cientficas e projetos culturais. 
 
Na ltima quarta-feira deste mês, celebra-se o Dia Mundial da Esclerose Mltipla, doença autoimune cujos sintomas ocorrem em surtos, deixando sequelas graves que muitas vezes podem comprometer os movimentos e funções importantes como a visão.
 
Estima-se que cerca de 30 mil brasileiros convivam com essa inimiga invisvel. Tomada por um cansaço abrupto e mordaz, a pessoa com esclerose mltipla não encontra em seu entorno apoio para lidar com os sintomas velados da doença.
 
Diferente de uma pessoa com deficiência, o paciente de esclerose mltipla ainda não conta com nenhum tipo de poltica pblica que o garanta o essencial para ter qualidade de vida. Mais que apoio de familiares e amigos, essas pessoas precisam da compreensão por parte dos empregadores para adequar a carga horria das empresas ao seu tratamento, muitas vezes evasivo e extremante debilitante.
 
Hoje a Lei de Cotas não inclui o paciente da esclerose mltipla em seu rol de beneficiados. Realidade que queremos mudar a partir da Lei Brasileira de Inclusão, projeto que relatei na Câmara dos Deputados. A ideia que as empresas contratem seguindo a avaliação da classificação internacional de funcionalidade (CIF).
 
Diferente da CID (Classificação Internacional de Doença), a CIF leva em consideração não s a funcionalidade da pessoa, mas o contexto ao qual ela est inserida. A partir dessa avaliação, uma pessoa com esclerose mltipla, at então fora da lei de cotas, pode ser includa no mercado de trabalho, j que a avaliação ser muito mais abrangente.
 
A mudança muda o conceito de deficiência, que não mais ser compreendido como uma condição esttica e biolgica da pessoa, mas como o resultado da interação das barreiras impostas pelo meio com limitações de natureza fsica, mental, intelectual e sensorial.  Ou seja, a deficiência deixa de ser um atributo da pessoa e passa a ser o resultado da falta de acessibilidade que a sociedade e o Estado oferecem.
 
Sempre uso o meu caso como exemplo ao abordar essa questão. Apesar de ter uma deficiência fsica considerada severa, as tecnologias assistivas e os outros recursos que disponho em meu dia a dia tornam minha paralisia insignificante. Mas para uma pessoa com deficiência, mesmo em grau leve, as barreiras enfrentadas podem ser muito maiores, se levarmos em consideração seu estado de vulnerabilidade social e sua total falta de acesso a recursos bsicos, como medicamentos, cadeira de rodas, serviços de reabilitação, transporte, etc.
 
Felizmente, os avanços da habilitação e reabilitação trouxeram novas perspectivas sobre a vida, inclusive, queles, que como eu, perdeu movimentos, mas continua com a alma inquieta. Contudo, preciso trabalhar para que mais pessoas tenham as mesmas oportunidades no ambiente de trabalho.  Para isso as empresas devem cumprir, alm da legislação, sua cota de tolerância e respeito s necessidades de cada ser humano. 
 
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